A Arte da Assemblage

"Assemblage ou assemblagem é um termo francês que foi trazido à arte por Jean Dubuffet em 1953. É usado para definir colagens com objetos e materiais tridimensionais. A assemblage é baseada no princípio que todo e qualquer material pode ser incorporado a uma obra de arte, criando um novo conjunto sem que esta perca o seu sentido original. É uma junção de elementos em um conjunto maior, onde sempre é possível identificar que cada peça é compatível e considerado obra. Ao se utilizar de diversos materiais como papéis, tecidos, madeira "colados" a uma tela o artista consegue ultrapassar as limitações da superfície, rompendo assim o limite da pintura, criando uma junção da pintura com a escultura." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/Assemblage)

Em diferentes locais da Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite estão expostos, para possível apreciação da comunidade educativa, trabalhos elaborados pelos alunos 12.ºB do Curso de Artes Visuais, no âmbito da disciplina de Oficina de Artes, recorrendo à Arte da Assemblage. A proposta consistiu em incorporar elementos de linguagem plástica, explorando a relação entre signos verbais e icónicos e refletir sobre um tema social ou cultural relevante na atualidade.

Partilhamos aqui alguns desses trabalhos juntamente com a memória descritiva e justificativa redigida pelo grupo de autores. Parabéns a TODOS pela vossa produção artística e juízo sobre a realidade em que vivemos!

Decidimos representar o tema da Guerra na nossa assemblage, nomeando-a de “Abraço em ruínas”. A escolha deste título resume a ideia principal do projeto: um ato de carinho e proteção no meio de um cenário de destruição. O “abraço” simboliza humanidade, cuidado e conexão emocional, contrastando diretamente com o ambiente de ruínas ao redor, que representa o impacto devastador da guerra. As “ruínas” expressam não apenas a destruição física, mas também as perdas e traumas que afetam a vida e a memória das pessoas que sobrevivem a estes conflitos. Ao escolher o tema da guerra, consideramos a relevância e atualidade deste assunto e a nossa preocupação com os efeitos que as guerras têm na sociedade. O nosso objetivo foi destacar a coexistência entre a empatia e a destruição, sugerindo que, mesmo em meio a conflitos, a humanidade e a solidariedade persistem.

Para construir a assemblage, selecionamos uma gama de materiais reutilizáveis e reciclados, muitos dos quais já possuíamos em casa. Optámos por uma caixa de madeira para a estrutura base, escolhendo-a pela sua resistência em vez de outros materiais mais frágeis, como o cartão, que não suportariam os personagens modelados com pasta de moldar. A caixa foi revestida externamente com uma película preta para móveis, criando um contraste com o interior, que foi pintado com guache preto para simbolizar o ambiente sombrio da guerra. Para construir o cenário, usamos esferovite para criar o muro e os prédios, utilizando técnicas de pintura como a tinta acrílica, o carvão em pó e em barra e a maquilhagem para simular o aspeto degradado do ambiente. A esferovite, além de ser fácil de moldar, possibilitou que experimentássemos texturas e formas que permitissem oferecer certo realismo ao trabalho. As janelas dos prédios foram feitas com micas, um material leve e fácil de colar, que imita o vidro partido dos edifícios. Outros detalhes, como o sinal e a bomba representada nele, foram feitos com EVA e um disco de vinil antigo, reforçando a ideia de aproveitamento de materiais reciclados e adaptando-os ao contexto do projeto. Os personagens – um soldado e uma criança – foram construídos com arame, papel alumínio, tiras de jornal e pasta de moldar, para garantir a sua estabilidade e firmeza. Decidimos apenas vestir os personagens com roupas detalhadas e acrescentar alguns acessórios essenciais, como o chapéu, o colete do soldado e as botas da criança, feitos de EVA e cartolina, e não lhes dar rosto nem cabelo porque assim permite que hajam várias interpretações das nacionalidades de cada um, abrangendo o assunto do nosso trabalho para qualquer contexto de guerra. Além disso, também fizemos uma arma a partir dos restos de cartão e sombras do cabo utilizado para o sinal, que colorimos com tinta acrílica, para ajudar a estabilizar os personagens. O cartaz que está encostado à criança contém a frase “PEACE IS THE SOLUTION”, um contraste direto com o cenário destrutivo. Este elemento foi incluído para trazer um pouco de positividade à obra e reforçar a mensagem de esperança e resiliência em meio à violência.

Conclusão: Em suma, este projeto serviu para sensibilizar sobre o impacto das guerras na sociedade e enfatizar a importância de manter a solidariedade e a esperança mesmo em tempos difíceis. Esperamos que esta obra inspire uma reflexão sobre os efeitos duradouros dos conflitos e o poder transformador da conexão humana.

Autoras: Joana Pinho, Lara Andrade e Maria Bastos

Este projeto foi intitulado "Poluição". A escolha deste tema surgiu da preocupação crescente com a situação ambiental global e a urgente necessidade de conscientizar as pessoas sobre as consequências das ações humanas nos ecossistemas marinhos. O trabalho consistiu na criação de uma instalação visual e interativa que representa, de forma simbólica, o impacto da poluição nos oceanos e a sua consequência devastadora para a vida marinha. A nossa instalação foi construída com materiais reciclados e reutilizados, simbolizando tanto o desperdício humano quanto a resistência da natureza frente à destruição. Além disso, com o aumento da conscientização sobre as questões ambientais, achamos fundamental usar a arte e a criatividade como formas de sensibilizar o público. A instalação visual que criamos foi pensada para despertar emoções e tornar o tema mais acessível a todos.

O nosso projeto  foi construído de forma a representar um oceano poluído, com elementos de lixo sendo representados de maneira visualmente predominante, intercalados com figuras que simbolizam as espécies marinhas, como a baleia e corais, apresentando sinais claros de desgaste e morte. Cada peça foi pensada para destacar tanto a abundância do lixo nos oceanos quanto a deterioração das espécies, criando uma narrativa visual que conduz quem o observa a refletir sobre o impacto do comportamento humano na natureza. Para a base do nosso projeto utilizamos umas placas de K-line brancas e recortámos conforme as medidas desejadas, preenchemos de seguida o interior da nossa estrutura com cartão. Ao longo da construção do nosso projeto utilizamos fita cola, agrafador, fio transparente, papel reciclado de vários tipos, fio de arame, lixos reutilizáveis, meias de licra, tinta acrílica para pintar os sinais, areia, conchas e pedrinhas da praia, spray azul e cor de rosa, sacos do lixo azuis e brancos. Redes de pesca: Para o efeito da criação das redes de pesca, utilizamos meias de licra antigas que já não serviam para uso, estas redes utilizadas como metáforas para a captura de animais marinhos e a destruição dos habitats, que na nossa representação só capturou variados tipos de lixo. A indústria pesqueira, acaba muitas vezes por destruir ecossistemas inteiros. Papel Reciclado:  A toda a volta da nossa estrutura base, utilizamos várias folhas de papel amachucado e revistas antigas, o papel foi usado para criar elementos figurativos como os corais e outros elementos do habitat marinho, que estavam deteriorados ou danificados, simbolizando a perda de biodiversidade. Fios metálicos e arames: Para a construção da nossa baleia optamos pelo fio de arame pois queríamos dar o acabamento visual de todo o lixo ser visto com uma transparência no interior da baleia, esses fios metálicos simbolizam a dureza e a resistência da poluição, que parece ser indestrutível e persistente, ao contrário da fragilidade da vida marinha. Uso de plásticos: O plástico foi praticamente o material predominante no nosso projeto, simbolizando a grande quantidade de resíduos plásticos que acabam nos oceanos. Ele é um dos principais vilões da poluição marinha, levando centenas de anos para se decompor e causando sérios danos aos animais marinhos que ingerem ou ficam enredados nas suas formas.

Nas laterais do lado de fora do nosso projeto, decidimos usar um spray com as cores azul e cor de rosa. A cor azul, representa o oceano e a fragilidade da vida marinha, esta cor foi escolhida principalmente para representar os oceanos, que são o tema central do projeto. O azul é, tradicionalmente, associado à vastidão e profundidade do mar, transmitindo a ideia de um ambiente natural, pacífico e essencial para a vida no planeta. Ao utilizar o azul, conseguimos evocar a imagem de um oceano saudável, que sustenta inúmeras espécies marinhas. A cor rosa, representa a morte e a esperança, esta cor foi utilizada de maneira simbólica para representar a morte das espécies marinhas e a fragilidade da vida diante da poluição. O rosa, por si só, é uma cor associada a sentimentos de sensibilidade, ternura e vulnerabilidade. Ao aplicá-la em figuras como corais e areia deteriorados, criamos uma conexão emocional com o observador, reforçando a ideia de que a poluição não afeta apenas o ambiente de forma impessoal, mas atinge diretamente seres vivos de uma maneira íntima e devastadora.

Autoras: Lara Pinho e Margarida Morais

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